9 de novembro: o dia em que, todos os anos, a Igreja celebra um edifício!


A fascinante e incompreendida “corporeidade” e “materialidade” da fé católica

Na arquitetura sacra católica, edifícios inteiros são erguidos como evocação e convite à nossa união com Deus em corpo e alma, espírito e mente. Não é à toa que, todo dia 9 de novembro, a Igreja chega a celebrar a natureza física da nossa fé mediante a festa de São João de Latrão: uma festa litúrgica dedicada a um edifício!
Isso mesmo: São João de Latrão é uma das mais importantes basílicas da história do cristianismo.


Uma fé literalmente “encorpada”

Uma das características mais fascinantes do culto católico dedicado a Deus é o fato de que ele engloba coração, mente, espírito e corpo. O fato de englobar também o corpo, no entanto, costuma receber menos importância do que deveria – o que é uma grande pena, pois deixamos de aproveitar uma parte inestimavelmente rica do imenso tesouro do cristianismo.

Sim, o catolicismo tem sólido enraizamento no mundo concreto, tangível, material. Afinal, Deus não nos criou apenas como almas imortais, mas como unidades indissociáveis de alma e corpo – tanto é que nos ressuscitará em corpo e alma para a eternidade. Vem daí a dignidade intrínseca do nosso corpo, templo do Espírito Santo, e, no entanto, tantas vezes menosprezado por interpretações equivocadas (e até heréticas) sobre a nossa dimensão corpórea.

Assim como nós fomos criados com alma e corpo, também a nossa fé possui uma dimensão “corpórea”, sensível, tangível. Essa “corporeidade” da fé católica decorre do próprio fato de que, mesmo sendo Espírito puro, Deus está presente e Se manifesta na materialidade da Sua criação.

ENCARNAÇÃO – Deus não apenas intervém na história com a Sua Revelação, que se realiza mediante uma longa série de manifestações sensíveis, como Ele próprio decidiu encarnar-Se, com direito a ter uma Mãe amorosíssima e a compartilhá-la com todos nós, Seus irmãos: em Jesus Cristo, Ele Se fez carne, Se fez homem, tornou-Se matéria conosco e foi homem em tudo, exceto no pecado.

SACRAMENTOS – Ele instituiu sinais visíveis da Sua graça, como os sacramentos: o batismo, a comunhão, a confissão, a confirmação, o matrimônio, a ordenação sacerdotal e a unção dos enfermos não são atos “apenas” espirituais, mas também físicos, que, além da intenção, requerem forma e matéria: água, santos óleos, palavra… Dentre os sacramentos, aliás, um é particularmente destacado quando se trata de “materialidade”: o próprio Deus continua presente, visível, tangivelmente, sob os véus da Santíssima Eucaristia, que não é um “símbolo” apenas, mas Presença Real. Ele é Corpo e Sangue; Ele Se entrega a nós como alimento, espiritual e fisicamente, na Santíssima Comunhão.

SACRAMENTAIS – A fisicidade da Igreja também se expressa no uso dos sacramentais, objetos abençoados presentes em nosso cotidiano e que podem ser quase “qualquer coisa”, desde um punhado de sal abençoado até um crucifixo, passando por medalhas como a Milagrosa, a de São Cristóvão e a de São Bento, pelo escapulário e pelo rosário, pelas relíquias de santos e do próprio Cristo…

ARTE SACRA E LITURGIA – A dimensão material presente em nossa fé enriquece a nossa experiência real do divino e do sagrado no “aqui e agora”, evocando Deus e a nossa união com Ele mediante as belezas extraordinárias da escultura e da pintura sacra, os acordes sublimes da música sagrada, o maravilhoso conjunto dos objetos e paramentos litúrgicos…

SEXUALIDADE MATRIMONIAL – Sim, até o sexo é chamado por Deus a ser sagrado! A entrega mútua dos nossos próprios corpos como homens e mulheres em ato de amor exclusivo e indissolúvel mediante a sexualidade vivida e desfrutada sob as bênçãos de Deus é tão sagrada que existe um sacramento dedicado a ela: o sagrado matrimônio. Além disso, a Igreja nos oferece toda a espetacular riqueza da Teologia do Corpo, tão bem apresentada ao mundo por São João Paulo II!

CUIDADO DA CRIAÇÃO – Quando se conhece e se vive em plenitude o tesouro inesgotável da fé católica, que abrange a integralidade do nosso ser sem deixar absolutamente nada de fora, torna-se natural respeitar e cuidar da criação de Deus manifestada materialmente não só na natureza a ser preservada, mas, principalmente, no nossos próximo, que é corpo e alma em unidade querida e criada por Deus.


DIGNIDADE HUMANA – É por isso que, diante de tantas agressões contra o corpo, materializadas em violências de toda ordem, assassinatos, torturas, abortos, eutanásias, vícios autodestrutivos, nem sempre se compreendem e se recebem com clareza os argumentos e exortações de natureza espiritual; é que nos falta algo ainda mais básico: perceber e admirar a maravilha, a sublimidade e a dignidade excelsa da nossa própria corporeidade.

Maravilhados, portanto, diante da incrível “tangibilidade” da nossa fé, por que seria de estranhar que também dediquemos uma festa litúrgica a uma basílica?

A Basílica de São João de Latrão


A Basílica de Latrão é a “igreja-mãe” de todas as igrejas católicas do mundo porque é ela (e não a Basílica de São Pedro!) a “catedral do Papa”. Ela é, afinal, a sede do bispo de Roma.


A original foi construída pelo imperador Constantino, durante o papado de Melquíades, no século IV. Foi lá que se realizaram os primeiros quatro concílios ecumênicos do Ocidente:

       1123, com a questão das investiduras;
       1139, com questões disciplinares;
       1179, sobre a forma de eleição do Papa;
       1215, sobre várias heresias e a reforma eclesial.


 

Em 1209, no local em que está a basílica atual, São Francisco de Assis e os seus onze companheiros receberam a aprovação do Papa Inocêncio III para iniciar a sua ordem religiosa. Segundo os relatos, o Papa tinha visto em sonhos que a Basílica de Latrão estava prestes a ruir, mas um religioso de pequena estatura e aparência simplória a sustentava com seu ombro. Esse religioso foi logo identificado com São Francisco, que deu início a uma das mais emblemáticas reformas da história do cristianismo, exortando o clero e os fiéis a uma vida de mais simplicidade e autenticidade na prática do Evangelho. A assistência religiosa na basílica atual, diga-se de passagem, está confiada aos frades franciscanos.



Fonte: Aleteia
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